11 Dicas certeiras para evitar a evasão escolar

Estamos vivenciando um momento de crise econômica nacional e internacional, realidade que acaba afetando a situação financeira das famílias brasileiras e reduzindo o orçamento de muitos. A educação dos filhos é prioridade para a maioria dos pais, mas, neste cenário de turbulência, é comum que tanto a inadimplência quanto a evasão escolar aumentem.

Para muitos diretores e professores de instituições privadas, já se tornou rotina ver nomes de alunos desaparecendo da lista de chamada e o número de carteiras vazias crescer. Mas quais são as principais causas desse fenômeno? Quais fatores levam um aluno a desistir de frequentar a escola? Como o gestor pedagógico pode manter controle sobre a situação, a fim de mitigar essa tendência?

Nesse post, discutiremos essas e outras questões relacionadas a evasão escolar e daremos algumas dicas práticas para ajudar você a lidar com o problema. Vamos começar?

1. Entenda as variáveis que afastam os estudantes das salas de aula

Há duas frentes que precisam ser consideradas na hora de entender e combater a evasão escolar: a perspectiva da escola e a perspectiva do aluno e seus responsáveis.

É a escola que está deixando de atender às expectativas ou algo está ocorrendo no âmbito familiar? O aluno é vítima de bullying? As aulas são enfadonhas e os assuntos, descontextualizados? Os pais estão enfrentando dificuldades financeiras? O estudante tem dificuldade de acompanhar o ritmo da turma e sua aprendizagem está sendo comprometida?

Perceba que todas as perguntas foram feitas no singular. Há um motivo para isso: jamais generalize. Cada caso de absenteísmo é único, então sua missão como gestor é mapear e localizar o problema para depois lidar com suas causas.

Tenha em mente que a evasão escolar é sempre a consequência de um desequilíbrio mais profundo. Para tomar uma atitude eficaz, é preciso entender quais são as raízes do problema.

2. Mapeie as causas da evasão em sua instituição

Muitos estudantes estão abandonando sua instituição a cada final de ano letivo? Com uma abordagem amistosa, procure diagnosticar o que está causando essa reação em massa. O absenteísmo precisa ser compreendido e combatido de forma particular, mas, quando a evasão toma grandes proporções, é sinal de que pode haver um motivo comum.

Problemas de infraestrutura, de didática ou com algum membro de sua equipe pedagógica? É preciso identificar qual é o impasse para depois agir para saná-lo.

Para conseguir elaborar um mapa das possíveis causas, é importante contar com um sistema de gestão automatizado que elabore relatórios precisos. A partir da análise dos dados, trace sua estratégia para mitigar o problema. Peça feedbacks aos alunos que permaneceram. Conhecer o ponto de vista de alguém que usufrui de seus serviços é fundamental para enxergar o que pode e deve ser melhorado.

Talvez um investimento seja necessário, ou uma mudança no plano pedagógico, ou ainda um curso de atualização e especialização para seus professores. Você já ouviu falar das oficinas pedagógicas, certo? Trata-se de uma iniciativa de compartilhamento de conhecimento e trocas de experiências pelos docentes.

É importante lembrar que pais e alunos satisfeitos nem sempre elogiam a escola, porém pais e alunos insatisfeitos frequentemente fazem uma propaganda negativa. Portanto, faça o possível para que qualquer conflito se resolva da melhor forma possível.

3. Mantenha um canal aberto de diálogo

Seu corpo estudantil deve servir de termômetro para o sucesso de sua instituição. Por meio de questionários, é possível detectar o que os estudantes apreciam, o que mudariam e do que sentem falta. Acima de tudo, eles precisam sentir que são ouvidos.

Mas não pare por aí. Traga o corpo docente para essa conversa, liste as sugestões e trace rotas para o que pode ser feito. Para diminuir a evasão, é importantíssimo manter um canal de diálogo aberto com todos os envolvidos no processo educativo.

Assim, você poderá aperfeiçoar o que sua instituição já tem de positivo e monitorar as demandas de seus alunos e de sua equipe. Contudo, é necessário ter critério na hora de absorver as sugestões, dando preferência ao que é viável e ao que de alguma forma refletirá em melhor aproveitamento do conteúdo pelos estudantes.

4. Envolva os pais na rotina escolar

Tão importante quanto manter um canal de diálogo com os alunos e com os professores é fomentar a participação dos pais na rotina escolar. Na adolescência, o envolvimento dos responsáveis nas atividades da escola tende a diminuir. Isso não significa que você deve deixar de incentivá-los, pelo contrário: faça questão de mostrar o efeito positivo que a presença deles pode surtir nos resultados alcançados pelos filhos.

É importante que os pais saibam que o desempenho dos adolescentes geralmente melhora quando eles participam ativamente do processo de aprendizagem. Então não deixe para criar essa consciência apenas quando houver uma situação problemática; zele para que sua escola adote uma política de aproximação, e que envolva a família em suas atividades e eventos.

Ligar para os responsáveis assim que detectar a ausência da criança ou adolescente, por exemplo, é um meio de demonstrar que você está ciente da situação e tem interesse em saber se algo não está indo bem.

Mais do que educar os alunos, eduque também os pais a respeito dos benefícios que seu acompanhamento traz. Afinal de contas, o sucesso estudantil é uma consequência da parceria estabelecida entre instituição, pais e alunos.

5. Institua mentores em sua escola

Você já pensou em instituir mentores para auxiliar seus alunos? Os mentores são professores que tornam-se conselheiros de pequenos grupos de estudantes, aconselhando-os quando eles necessitam. Isso faz com que se criem vínculos mais fortes por meio de grupos sociais.

Esse modelo vem do ensino superior, no qual os universitários contam com orientadores para sanar suas dúvidas e pedir feedbacks.

Por vezes, é cobrado exclusivamente do professor que monitore os níveis de aproveitamento de todos os alunos da classe e preveja quaisquer impedimentos para a aprendizagem. O problema é que, via de regra, as turmas têm bem mais estudantes do que um indivíduo consegue acompanhar.

É por esse motivo que a proposta de instituir mentores é tão válida. Eles têm um maior contato com seu grupo e podem detectar mais facilmente quaisquer turbulências, além de ensinar habilidades importantes para a vida e estabelecer fóruns para aconselhamento de carreira.

6. Esteja atento aos alertas

Antes que os alunos saiam de sua escola, eles dão sinais de que pretendem sair. Na educação privada, um dos maiores fatores de evasão escolar é a reprovação, pois ela desestimula os alunos e também seus pais.

Um aluno reprovado é estigmatizado por seus colegas e tem um enorme sentimento de incompetência. Além disso, é comum que seus pais sintam que estão desperdiçando recursos. É necessário acompanhar de perto esses estudantes, promovendo um suporte pedagógico e até psicológico mais completo.

Mas como evitar a reprovação se muitas vezes ela foge do controle da escola? Bem, é preciso tomar medidas preventivas.

Por meio de relatórios, é possível diagnosticar em quais séries há um índice maior de repetência e quais disciplinas são mais difíceis para os alunos. Com base nesses dados, organize plantões e atividades extras de apoio e disponibilize o suporte necessário para que os estudantes sintam que a instituição está interessada em ajudá-los.

Um alerta: diminuir o nível de exigência porque algum assunto é “difícil demais” nunca é o caminho. Lembre-se de que a instituição precisa manter seu padrão de qualidade para ter o reconhecimento do MEC. No entanto, se muitos alunos estão com dificuldades em uma matéria ou assunto específico, talvez uma boa opção seja repensar a estratégia de ensino e testar novas abordagens com o professor.

7. Promova atividades extracurriculares

Promover campeonatos de futebol, de xadrez, de ciências e poesia, manter um coral e um grupo de teatro são atividades que engajam os alunos e que facilitam o estabelecimento de um vínculo com a instituição. Essas iniciativas são percebidas como um diferencial pelo corpo discente.

Se os estudantes sentirem que pertencem a um grupo, grêmio ou comunidade e que são valorizados por isso, terão mais motivos para continuar frequentando as aulas e sentindo-se confortáveis no ambiente escolar.

Além de surtir um efeito positivo na aprendizagem das crianças e adolescentes, essas iniciativas estimulam a empatia e a capacidade de socializar fora do círculo da classe. Numa instituição que engaja seus alunos e que promove a empatia entre eles, a prática de bullying torna-se cada vez mais a exceção, e não a regra.

8. Proporcione aos alunos aulas mais interessantes

Muitos alunos brasileiros mudam de escola ou desistem de estudar porque as aulas são desinteressantes. E, na maioria das vezes, eles têm razão. Professores desestimulados por uma carga horária muito alta, assuntos que nada têm a ver com sua rotina, abordagens ultrapassadas e falta de aplicação prática para os conteúdos. Esses são apenas alguns dos dilemas da educação em nosso país.

É preciso buscar maneiras de sair desse panorama e inovar, cativando de fato os jovens. Uma medida urgente a ser tomada pelas escolas é transformar seus alunos em agentes da própria aprendizagem. Eles devem ser parte integrante do processo educacional, e não meros espectadores, ao passo que o professor deve atuar como mediador, e não como único detentor do saber. Toda aula deve conter uma dinâmica de construção de conhecimento e evitar ser apenas uma transferência de informações.

Com as diversas tecnologias disponíveis atualmente, e com mídias físicas e virtuais riquíssimas, é possível também transformar momentos entediantes e expositivos em atividades colaborativas. Porém, é essencial que as tecnologias sejam usadas com propósitos educacionais.

9. Saiba quais são os diferenciais de sua escola

Um bom gestor sabe exatamente quais são os diferenciais que sua escola oferece e quais vantagens eles podem trazer ao corpo estudantil. Sua equipe de professores é especializada? Sua escola tem ótimos laboratórios? E quanto à biblioteca? As salas de aula e os espaços externos são acolhedores?

Tão importante quanto mapear as fraquezas e o que deve mudar é conhecer as forças, saber exatamente o que deve permanecer e o que comunicar.

Para cativar seu público, é preciso que sua escola se sobressaia perante as demais e que seja percebida dessa forma. Não sabe como fazer isso? Pense em quais recursos as escolas concorrentes oferecem e também no que sua escola tem de único.

10. Reserve um tempo para debater a eficácia da proposta pedagógica

Como estão distribuídas as disciplinas de ciências humanas e exatas na estrutura curricular de sua escola? Como são organizados e com que frequência ocorrem projetos criativos, interdisciplinares e em grupo? É preciso intercalar matérias e atividades teóricas com períodos de prática, interação e pesquisa, para não fazer da aprendizagem algo maçante.

Os educadores também devem estar focados em construir pontes entre o conteúdo estudado e o cotidiano dos estudantes. Afinal de contas, memorizar um conceito é apenas uma das facetas da aprendizagem. É preciso se certificar de que os alunos estão aptos a aplicar os conhecimentos adquiridos em desafios que fazem parte de sua rotina.

Ao avaliar, é também importante levar em conta o esforço, o comprometimento e a evolução individual, fatores que, muitas vezes, não ficam tão óbvios em avaliações pontuais.

11. Inspire-se em casos de sucesso nacionais e internacionais

Para finalizar, mantenha-se a par do que está acontecendo em outros países em relação à educação. Como a aprendizagem ocorre em regiões onde o IDH é alto? Em muitos deles, o ensino torna-se cada vez mais interdisciplinar e o processo de construção do conhecimento é mais valorizado do que as notas no final do semestre.

No combate à evasão escolar, inspire-se em casos de escolas estrangeiras e nacionais e tente adaptar as iniciativas bem-sucedidas à realidade de seus alunos e de sua instituição. Por meio dessas atitudes, certamente você conseguirá reverter e prevenir o quadro de absenteísmo e desistência, bem como garantir o desenvolvimento e a aprendizagem de seus alunos.

Lembre-se, entretanto, de que cada situação tem um catalisador diferente e que é preciso lidar com as variáveis de maneira personalizada.

E você, gestor, como tem feito para evitar a evasão escolar em sua instituição? Compartilhe suas experiências conosco aqui nos comentários!​

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